Graffiti de A.P Stelling

by - agosto 15, 2015

E aí minha gente, tudo certo?
Cês lembram do post LENTE CRIATIVA DE AGOSTO que faria uma entrevista com uma Artista? Não? Volte lá e confira, aproveite para ver o conteúdo do tema deste mês.

Bem, fiquei tão animada com o projeto do Lente Criativa que fui em busca não só de fotos, mas também de gente, gente que faz arte, que cria, que colore.
Hoje a entrevistada é a Andréa Paula Stelling. (Na verdade a nossa primeira entrevista do blog!)
Estava eu procurando por Artistas na internet, acabei a encontrando, deixei uma mensagem para contato mesmo sabendo que poderia não haver um retorno e para minha surpresa, ela respondeu!!!!! Fiquei extremamente feliz, nem acreditei.
Selecionei uma série de perguntas e curiosidades sobre esse mundo artístico, afinal nada melhor do que conhecer pessoas cheias de ideias.
Sem mais delongas, vamos ouvir, ou melhor, ler o que a Andréa tem a dizer.


Meu nome é Andréa Paula Stelling , na rua assino AP, tenho 46 anos, nascida e criada em Niterói, estudei várias linguagens artísticas como desenho, pintura, escultura, gravura em metal, e também teatro, dança e música, sou formada em design de moda. Atuo na rua desde 2007, minha pintura é orgânica, represento bastante figuras femininas e trago muitos elementos relacionados ao mar e a água água.

 1- Poderia contar um pouco da história do graffitti, o que ele representa?

O graffiti para mim é uma expressão muito visceral, tem tudo a ver com a necessidade que o homem sempre teve de se manifestar em suportes públicos e democráticos como as inscrições nas pedras sobre a sobrevivência primitiva, as frases nos muros de luta politica, os nomes nas árvores dos casais apaixonados, as tags e frases ácidas nas portas de banheiros públicos. Então o graffiti que começou com a galera que teve sua escola a rua, em final dos anos 70 em NY ,hoje é uma ferramenta que artistas de todas as escolas se apropriam como mais um veículo para desenvolvimento de sua arte. E acredito que os artistas que tem a atitude de se apropriar da rua, se beneficia além do exercício de sua arte , pois é também um exercício de cidadania.

2 - Quem ou o que despertou seu interesse por este tipo de arte? 

Eu pinto desde  dezenove anos, apesar de estudar várias formas de arte, as artes visuais sempre me capturaram mais que as outras pela necessidade de produzir. Meu interesse pelo graffitti veio naturalmente, como um caminho a ser percorrido por uma artista multimídia que pesquisa suportes diferentes para manifestar sua arte. Antes de ir para rua, eu já pintava além das telas, em parede, muros, armários, portões buscando sempre uma dimensão maior para desenvolver minha composição, então ir para o lado de fora das casas e me apropriar da rua foi uma consequência natural pela busca do exercício.



3 - Como é visto esse mundo artístico na sociedade? É bem aceito ou sofre algum tipo de preconceito?


Hoje em dia, através da divulgação em massa pelas mídias, o graffitti está muito mais valorizado que há 15 anos atrás, sem dúvida, mas ainda existe sim preconceito por parte da sociedade, das empresas, dos consumidores em geral, que querem sempre uma obra de arte a preço de banana. Não entendem seu valor quando te vêem pintando na rua em uma iniciativa sua, seu tempo, seu trabalho e seu material, acham que por isso devem fazer de graça o trabalho para eles ou pagar o preço que eles imaginam ser justo. Visto que quando pintamos na rua de "graça" , estamos no exercício de nossa identidade visual e espalhando nossa arte para o maior  público possível e com fotos que registrem a obra para divulgação em portifólio, pontuando nossa jornada e divulgando nosso nome atraindo assim mais admiradores e possíveis clientes. 

4 - Atualmente você vive da Arte ou tem algum outro trabalho?

Sempre vivi de arte, porém executando diferentes funções, desenvolvendo projetos de decoração de interiores com foco em pinturas de efeitos ( pátina, metalização) e objetos personalizados com pintura, mosaico, etc. Dando aulas de desenho e pintura particulares, coordenando oficinas de artes plásticas para comunidades, oficinas de graffitti. Participando de projetos de graffitti, além das vendas de minhas telas e objetos desenvolvidos em meu atelier e minhas roupas que dialogam com minha identidade visual, peças únicas desenvolvidas artesanalmente  em malha.


5- Qual foi o trabalho mais marcante que você já fez?

Acho que ainda não teve um em especial porque existem muitos momentos especiais quando se está na rua , mas é certo que é sempre muito gratificante quando conseguimos unir o prazer do desenvolvimento de um bom trabalho e a satisfação e alegria da comunidade local, que se sente valorizada e te dá um retorno carinhoso e emocionado.

6 - Por onde podemos encontrar seus trabalhos nas paredes a fora? 

Espalhados por Niterói, Rio de Janeiro, Búzios, Cabo frio, Brasília e Bahia.

7 - Hoje você mudaria de profissão? Se arrepende algo que tenha feito nesse mundo artístico?

Claro que não. Ser artista vai além de você escolher uma profissão, o artista já nasce artista, isso não quer dizer que ele não precise estudar e se dedicar no desenvolvimento e gestão de sua arte. Mas não é uma questão de escolha como outra profissão qualquer que você tenha afinidade ou apenas escolhe por achar que obterá um retorno financeiro melhor. O que torna uma pessoa artista, é a visão que ela tem do mundo e a leitura que ela faz, é uma necessidade inerente a vontade  de se expressar  e materializar o que não pode ser guardado dentro dela. Existem vários artistas portanto que possuem outra profissão.
Não me arrependo de nada que fiz, pois tudo fez e faz parte do aprendizado e caminho.


8 - Para encerrar, o que tem a dizer para pessoas que querem encarar a Arte como profissão? 

Aprender bastante sobre gestão, o artista hoje tem que ser  empreendedor além de criativo, saber se vender para entrar no mercado. Infelizmente não podemos contar que iremos ser descobertos pelo mercado apenas pela qualidade de nosso trabalho. Como qualquer outra profissão, tem que amar o que faz , desenvolver e acreditar.


Muito obrigada Andréa pelo carinho, atenção e ter reservado um tempinho para responder as minhas curiosidades e a de meus leitores.
E aí galera, curtiram? Pois é, eu amei, adoro arte, eu já tentei buscar outras profissões que poderia me formar mas não consigo, a arte me consome de uma forma extraordinariamente linda, e eu quero abraça-la.Como a Andréa disse

 "Artista já nasce artista", e eu acho que nasci com essa essência em mim.

Todas as  fotos neste post são os trabalhos feito por ela. 
Confira as Redes Sociais onde poderá encontrar mais atividades lindas da nossa entrevistada!

Andrea Paula Stelling
Facebook: Atelier Ar Fashion
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6 comentários

  1. Iza, que legal <3 Que lindos os trabalhos da artista, eu adoro graffitti *-*
    Beijão!

    www.imperfeitaas.blogspot.com.br

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  2. Ai que legal que o Lente Criativa te proporcionou isso! A entrevista ficou o máximo e os grafites dela são lindos!

    www.vestindoideias.com

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    Respostas
    1. Muito bom mesmo, adorei o tema e me empolguei de verdade!

      Obrigada pela visita, volte sempre!

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  3. Que trabalho lindo! Adoro graffitti e super apoio!

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